Pra Me Enlouquecer É Mais Caro

República Anárquico-frevocrática fundada em 2002 por Rainha do Maracatu Roubada de Ouro, Senhor do teu Anel e Catirina Sem Mateus. Atualmente é administrada pela Mulherzinha 3.4 e a Rainha do Maracatu Roubada de Ouro. Afinal de contas, nunca perdemos a nossa majestade

terça-feira, março 11, 2003

Cartas não-entregues...
Tenho por hábito o péssimo costume de escrever cartas apenas pra desafogar o coração ou deixar essa sensação de opressão no estômegao melhorar.
Bom, o fato é que comecei a redigir uma dessas ontem e, como não vou mandar mesmo, vou deixá~-la publicada aqui. Pra quem tiver paciência de ler....

"...a primeira vez que beijaste a minha boca era madrugada de uma quinta-feira qualquer de fevereiro. Chovia e, ao ensaiar a descida do carro e dois beijinhos de despedida tu me roubaste a boca e um beijo....desci do carro sob a chuva e tu, em seguida e logo atrás de mim, empurraste-me contra o muro e acuaste-me tal qual uma menina assustada e fugidia, tal qual presa tentando escapar das tuas mãos que me percorriam ancas, coxas, nádegas, rosto, colo, seios....mãos que me percorriam a mulher que se escondia de tuas tentativas - até então vãs - de me seduzir por completo.

Naquele momento - sob a chuva e através de um beijo roubado - eu soube que, enfim, me arrebatarias. Recusei teus apelos de homem feito, mais parecendo menino menino pedindo que me entregasse a ti, ou tu a mim. Recusei-te como quem rejeita o carrasco, como quem declina da primeira dose de absinto, como quem teme o vencedor. Simplesmente recusei e subi as escadas do edifício, deixando-te só, tu e a chuva.

Acordei sob o sol escaldante do verão e calei-me sobre o beijo, sobre a noite anterior, sobre a chuva...sobre a minha vida - até então pacatamente controlada pelo meu medo de cair, ou de me apaixonar...

A primeira vez que me deitei contigo eu tremia. De medo, receio, temor, fuga e desejo. desejo de me perder em tua boca ou de afogar-me em teu peito, de aninhar-me em teus braços ou de ser simplesmente assim, descontraidamente feliz enquanto mulher.

Não sei aonde me levarão a chuva, o beijo roubado, a destreza e precisão de tuas mãos sobre o meu corpo ou simplesmente o domínio do teu corpo sobre o meu. Não sei se conseguirei apenas passar ao largo de ti ou me esconder dos teus olhos famintos ou de tua boca sedenta de beijos. Simplesmente não sei. Ainda de nada sei".