Pra Me Enlouquecer É Mais Caro

República Anárquico-frevocrática fundada em 2002 por Rainha do Maracatu Roubada de Ouro, Senhor do teu Anel e Catirina Sem Mateus. Atualmente é administrada pela Mulherzinha 3.4 e a Rainha do Maracatu Roubada de Ouro. Afinal de contas, nunca perdemos a nossa majestade

quarta-feira, abril 09, 2003

Socorro, eu quero descer!
Normalmente todas as "mudanças" que ocorreram na minha curta existência foram meio que "a pulso". Estou mudando mais uma vez e, pela primeira vez, por conta própria. O fato me deixa feliz, mas confesso que estou tensa. Conto até dez mas termino roendo e ruminado além do que devia. Estou "eriçada feito um gato maracajá", eu sei que sim, devo descupas à Púshkin (uma já pedida, outra não) e espero contar com a paciência dele (e de todos os meus amigos) ...preciso que me dêem o desconto.
Estou acostumada a resolver as coisas todas por mim mesma e não estou sabendo lidar com esse "compartilhamento de responsabilidades". Eu juro que estou me esforçado ao máximo pra ser mulherzinha, me deixar ser cuidada, mas é difícil...
Well, a parte boa disso tudo é que daqui a duas semanas voltarei a ser uma pessoa normal.
E antes que eu me esqueça: Púshkin, mil e quinhentas desculpas e eu amo você. Muitomuitomuitomuitomuito.
Só para ratificar meus votos de amizade, deixo aqui cópia de cartinha que escrevi pra ele quando ele me deu uma força incrível num processo punk pelo qual eu passei no último ano.

Camarada Púshkin,
Segunda-feira. Começa mais uma semana e eu, travestida de nova mulher, estou parando agora para sentar à máquina e fazer aquilo que faço de melhor: escrever, escrever e escrever.
Esta é a minha maneira muito particular e própria de me fazer entender para o mundo com o qual me relaciono e, vez em quando, lugar de onde preciso fugir para posteriormente me reencontrar aqui, através da literatura.
Esta também é a minha maneira muito particular e própria de agradecer a vc, meu querido e estimado amigo, por absolutamente tudo o que vc fez por mim durante estas sexta à noite e sábado de manhã, quando eu estava naquele “período de chuva”.
Então, apenas para começar, gostaria que vc soubesse que boa parte da minha felicidade de hoje eu devo a vc, Camarada Púshkin que, em vez de simplesmente fugir da minha solidão, soube ir ao meu encontro apenas para me dizer : “Eu tô por aqui caso vc precise de uma mão a ser estendida”. Sem perguntas ou questionamentos que pudessem me fazer falar sobre o que me consumia.
E foi essa sua forma tão gentil e preciosa que me faz ter a certeza de que na vida, devemos agradecer por tudo mesmo; inclusive pelas oportunidades de ficarmos tristes, que é quando descobrimos o quanto somos verdadeiramente amados.
E foi esse carinho, esse afeto, essa atenção que vc dispensou a mim que eu ainda não sei como retribuir. De qualquer maneira e do fundo do meu coração, dizer-lhe apenas “obrigada” seria ainda uma palavra muito pequena para traduzir-lhe o que de fato eu sinto.
Mas sinto-me impelida a dizer-lhe que : se eu fui “salva da chuva” que caiu por sobre a minha cabeça neste final de semana, gostaria que vc soubesse que foi vc, Camarada Púshkin, que me salvou de todas as maneiras que uma pessoa pode ser “salva”.
Provavelmente vc me responderá : “Mas eu fiz por vc o que vc teria feito por mim”. E eu respondo: “É verdade”. Mas eu tb queria que vc soubesse que eu nunca me deixo ser "salva". E foi vc quem teve coragem de me dizer “Menina, eu vou me aproximar mesmo que vc não queira”.
E por ter feito isso, por ter me “vencido” ou me “deixado ser vencida” é que eu digo obrigada. É porque essa nau maravilhosamente desgovernada que se chama “vida” costuma me colocar em posições sempre muito conflitantes, onde normalmente sou eu quem está de pé, com os punhos cerrados, esperando mais outra batalha. Mas é esta mesma guerreira luminosa que é uma menina muito feliz que se sente vez em quando triste e, como está cansada da luta, prefere se recolher.
Obrigada por desrespeitar este meu recolhimento, por passar por cima da minha auto-defesa, por segurar a minha mão e me fazer mais feliz ainda do que eu já sou.
Porque eu, quando crescer, quero ser uma mulher feliz. Mais feliz ainda.
Obrigada por me deixar saber que vc está disposto a me puxar a orelha toda vez que eu precisar esquecer de mim um pouquinho apenas para me reencontrar com o mundo, esse vasto mundo sem esquinas onde eu, vez por outra, me perco.
(...)
Então, por tudo o que aconteceu, obrigada. Por estar lá. Por me deixar sorrir ou chorar. Por fazer parte da minha vida. Obrigada. Mesmo.
Levo um beijo à tua alma.
Sempre tua,
Camarada Púshken.