Pra Me Enlouquecer É Mais Caro

República Anárquico-frevocrática fundada em 2002 por Rainha do Maracatu Roubada de Ouro, Senhor do teu Anel e Catirina Sem Mateus. Atualmente é administrada pela Mulherzinha 3.4 e a Rainha do Maracatu Roubada de Ouro. Afinal de contas, nunca perdemos a nossa majestade

quarta-feira, novembro 26, 2003

E depois ainda diz que é minha amiga!
Aninha (ex-pré-balzaca atual www.absorta.blogger.com.br) escreve pra mim um e-mail no qual diz que encontrou um texto no "Fulana e Beltrana" e diz ter lembrado de mim...

A VIDA COMO ELA É
Ela queria um homem que viesse do passado. Não era por nada não, mas achava que se reencontrasse algum antigo conhecido poderia pular o começo e ir direto ao meio. Estava saturada de começos. Enjoada de tanto explicar quem era, de onde vinha, o que queria.
Ele poderia ter passado. Aliás, melhor que tivesse. Ex-amor, ex-mulher, filho pequeno. Só gostaria que o passado dele já estivesse longe. Não era por nada não, mas gostaria que ele também estivesse procurando há tempos. Ela achava que só quem conhece as desventuras da busca poderia saber dar o devido valor à alegria do encontro.
Também não deveria ter uma profissão qualquer. Para ela, retidão de caráter, idealismo e valores sólidos eram essenciais. Ele não precisava ser rico. Aliás, melhor até se não fosse. Bastava um mínimo de estabilidade financeira, tipo jantar com vinhozinho e viagem no fim de semana. Ok.
Características físicas não eram parte importante de suas projeções. Não precisava ser lindo, só queria um pouco de charme. Mas tinha que abraçar muito gostoso, tinha que gostar muito de beijo, gostar muito de sexo e não ter medo da paixão.
Perfeito.
Pra imaginar antes de dormir estava ótimo.
Acontece que a vida prega peças. Seu desejo é uma ordem - disseram os deuses - e ele apareceu. É, apareceu: o príncipe sob medida em carne, osso e muito afeto. Disponível, intenso, encantado. Disseram que ele veio através de um tal portal. Um alinhamento raro de planetas que acontecia a cada vinte anos. Fantasiosa a explicação, mas real o moço.
Real o moço.
Ela não estava preparada para tanta realidade. Assustada com o poder dos seus próprios sonhos, a tola princesa enclausurada, na mais alta torre do seu castelo, se desesperou. É real o moço.
Ela chora.
A vida ri.
A vida observa, se diverte e provoca. Pergunta - abusada e irônica - qual é a desculpa que a moça vai inventar para não viver o amor dessa vez.